OS PERIGOS QUE NOS CERCAM....

Não só olhamos a natureza com olhos que acumularam conhecimentos a seu respeito , com uma imagem, mas também olhamos os outros entes humanos com nossas diferentes conclusões, opiniões, juízos e valores. Assim, quando olhais ou observais a vós mesmos, a vossa vida, estais observando através da imagem e das conclusões que já formastes. Dizeis que isto é bom, aquilo é mau, ou que isto é certo e aquilo, errado.
Assim agindo, não estais em relação direta com o que vedes. Olhais com o conhecimento trazido do passado, vossas imagens, com a tradição, as experiências humanas acumuladas; tudo isso vos impede de ver. Este é um fato que precisa ser compreendido, ou seja, que, para observardes realmente a vida, deveis olhá-la com olhos novos, isto é,sem condenação, ideal, desejo de dominar ou alterar o que vedes, em suma, observar.
Todos nos colocamos em níveis diversos e estamos constantemente a cair dessas alturas. Dessas quedas nos envergonhamos. A auto-apreciação é a causa de nossa vergonha, queda. Essa autoapreciação é que precisa ser compreendida, não a queda. Se não existe um pedestal, sobre o qual colocastes a vós mesmos, como pode haver queda?
Sem o dito pedestal, sereis o que sois. Se não mais existe o pedestal, do alto do qual olhais para baixo ou para cima, então sois aquilo de que sempre estivestes fugindo. É essa fuga ao que é, ao que sois, que dá origem à confusão e ao antagonismo, à vergonha e ao ressentimento.
Tanto a pobreza como a riqueza são escravidão. O desejo de prestígio, posição e poder - o poder que se conquista por arrogância, a humildade, o ascetismo, o saber, a exploração e abnegação - esse desejo é sutilmente persuasivo e quase instintivo. O sucesso (…) é poder, e o insucesso (…) a negação do sucesso.
(…) O sucesso neste mundo e o poder que trazem o controle e a negação de si mesmo, são coisas que devem ser evitadas, pois ambos deformam a compreensão. (…) O homem de sucesso é um homem endurecido, egocêntrico; está cheio de sua própria importância, suas responsabilidades, realizações, lembranças.
O cérebro está sempre ativo, sonhando acordado, ocupando-se com uma ou outra coisa, ou criando quadros e idéias por meio da imaginação. Desde a infância, nós construímos gradualmente a estrutura de imagem que é “eu”. Cada um de nós está fazendo isso constantemente; é essa imagem, que é o “eu”, que se fere. Quando o “eu” é ferido, existe a resistência, a construção de um muro em volta de nós mesmos (…); e isso cria mais medo e isolamento ...
(…) Cada um de nós tem uma imagem daquilo que “deveríamos ser”, uma idéia de que somos grandes ou muito insignificantes, estúpidos, medíocres, ou temos o sentimento de sermos extraordinariamente afetuosos, superiores, cheios de sabedoria, de conhecimentos. Essas imagens que temos de nós mesmos negam totalmente o percebimento do imediato, do que é.
Existe um conflito entre a imagem e o que é, e, a meu ver, a madureza é um estado mental em que nenhuma imagem existe e só há o que é; nela não há conflito de espécie alguma. A mente que se acha em conflito não está amadurecida - conflito com a família, com nós mesmos, com nossos desejos, ambições, preenchimentos. Em qualquer nível que seja, o conflito denuncia sempre uma mente não amadurecida, não esclarecida. ..
A mente está cheia de imagens, palavras, símbolos. Ela pensa,e, através de tudo isso, vê...

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