Esclarecendo sobre dizimos.....


Muitos tentam distorcer a bíblia de toda maneira para validar uma ordenança da lei mosaica que não pertence a lei da graça, trazendo novamente a escravidão da lei para o povo que Cristo resgatou.
è o ato de #dizimar, ou seja  reduzir a quase nada#
Vamos esclarecer alguns pontos:
1- Abraão entregou a Melquisedeque a décima parte dos despojos de guerra, e foi apenas uma vez.
2- Abraão nunca deu dízimo dos seus bens.
3- No versículo 23 de Gênesis 14 tu dizes que abraão deu tudo a Melquisedeque, mas aconselho ler com mais atenção, porque nessa parte Abraão entregou o resto dos despojos ao rei de Sodoma:
“E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas, e os bens toma para ti.
Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra,
Jurando que desde um fio até à correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão”
Gênesis 14:21-23
Não sei se é por ingenuidade ou má-fé que usastes o texto de Hebreus 7 para validar a prática do dízimo, mas vou esclarecer alguns pontos.
1- Nesse capítulo o autor usa o fato de ter existido um sacerdote de Deus reconhecido por Abraão quando este lhe entrega o dízimo, antes do sacerdócio levítico equiparando-o ao sacerdócio de Cristo que é eterno.
2- O contexto desse capítulo é esclarecer ao povo hebreu que não seria mais necessário o cumprimento da lei de Moisés nem manter os sacerdotes levíticos, porque ao mudar o sacerdócio torna-se necessário mudar também a lei. Quer dizer também que Jesus é o nosso sumo sacerdote e que não existe mais sumos sacerdotes imperfeitos.
3- Vale salientar que o dízimo na lei nunca foi dinheiro e sim alimentos e tinha todo um ritual de entrega (Deuteronômio 14:22-29)
4- No novo testamento não há qualquer ordenança para um cristão pagar o dízimo, há apenas pedidos de ofertas voluntárias para ajudar os irmãos que padeciam necessidades.
5- Vamos a uma pequena aula de história sobre o dízimo no cristianismo:
A adesão da Igreja Católica Apostólica Romana a prática do dízimo está longe de ser uma novidade, foi iniciada com a queda do Império Romano, no século IV. A igreja ocupou o vazio do poder, e para evitar o caos financeiro, começou a cobrar o dízimo sob pena de excomunhão. No século VI, os concílios e sínodos da Igreja da França relembravam essa obrigação. O Bispo Graciano inseriu no decreto aos fiéis uma lista de bens sujeitos ao dízimo, redigida por Cesário de Arles e atribuída por ele a Santo Agostinho. O dízimo era devido por todos os participantes da igreja, até mesmo pelo rei e pela aristocracia.
O dízimo foi confirmado oficialmente pelos concílios regionais de Tours (567) e Mácon (585). Mas foi somente a partir de Carlos Magno (779) que o dízimo passou a ser cobrado regularmente. Ele generalizou e sancionou a prática. Dividiu o produto dos pagamentos em três partes iguais, destinada à igreja paroquial, ao pároco e aos pobres. Em princípio o bispo não deveria receber nada. Mas na verdade os bispos ficavam com uma parte, enquanto os abades e priores disputavam o dízimo sobre as terras de seu monastério, em detrimento do clero paroquial.
Por causa do controle laico dos bens e ganhos da Igreja nos séculos VIII e IX, os proprietários consideravam os dízimos parte integrante de seu domínio e, como tal, os submetiam a seus feudos. Parte considerável dos dízimos permaneceu submetida ao feudo até os tempos modernos, mesmo depois de a Reforma Gregoriana ter obrigado os senhores a entregar seus bens temporais as igrejas paroquiais.
Esse sistema tributário estendeu-se posteriormente às demais nações cristãs: chegou à Inglaterra no século X. Na península Ibérica os dízimos já eram praticados desde o século VII, em caráter voluntário, e somente 400 anos depois passa a ser obrigatório. Nos dois primeiros concílios de Latrão, em 1123 e 1139, o dízimo foi finalmente incorporado à legislação geral da igreja, de forma definitiva, como a décima parte da renda dos fiéis.
Os dízimos foram uma das principais atribuições das jurisdições eclesiásticas no final da Idade Média, estiveram na origem de inúmeros conflitos entre a justiça eclesiástica e a real.
Entenderam que até o século IV não existia a cobrança do dízimo; e que essa prática foi introduzida no cristianismo pela ICAR para manter seus templos.
Há quem confunda o Templo judaico com os templos cristãos, atribuindo a estes a designação de “casas de oração” que, como se pode ler nos evangelhos ( Mateus 2l,12-17; Marcos 11,15-18 ; Lucas 19,46; João 2,13-16), se referem ao Templo judaico, onde, aliás, Jesus fez tal pronunciamento quando expulsou dele os vendilhões que o profanavam.
Também é costume apelar a um certo tipo de “reverência” aos templos, usando os textos do AT que se referem ao templo de Jerusalém como se tivessem falando dos templos cristãos.
Outra reminiscência semelhante é o apelo ao dízimo, de forma legalista, como medida de contribuição exigida em igrejas cristãs e sendo colocado até como condição para salvação. O dízimo é uma referência precária, à luz do Evangelho libertador.
Há práticas e atitudes “judaizantes” no cristianismo atual. Estas e outras, de que talvez uma das mais graves seja a ênfase que certas igrejas dão ao Antigo Testamento, baseando nele lições e prédicas, sistematicamente, de tal modo que, por vezes, num culto dito “de pregação do Evangelho”, não está presente Evangelho nenhum, nem é anunciado Jesus, o Cristo, a Palavra de Deus viva e vivificadora. Essas igrejas, por vezes, mais parecem sinagogas do que comunidades cristãs.
Afinal, desde quando houve templos cristãos? Não foi o próprio templo, globalmente, a principal recuperação material proveniente do paganismo?
Os cristãos primitivos tinham templos? O Templo de Jerusalém era um templo cristão? Obviamente que não. Os cristãos, até ao quarto século, reuniam-se em casas particulares, como podemos verificar em múltiplas passagens, por exemplo em Romanos 16,5 e I Coríntios 16,19. Mais tarde, chegaram a reunir-se em catacumbas, refugiando-se das ferozes perseguições de que foram alvo. Também se juntavam nas sinagogas e no Templo de Jerusalém, mas esses não eram os seus espaços. Tais espaços pertenciam aos judeus. Frequentavam-nos para dar testemunho do Cristo aos israelitas, procurando evangelizá-los.
Os chamados templos evangélicos aí estão hoje, com os seus púlpitos, seus objetos sacramentais, seus lugares reservados ao clero, seus patamares diferenciados em honra e dignidade/autoridade… Para que condenar ou censurar o catolicismo romano em aspectos tão semelhantes? Há que assumir os fatos, as semelhanças, sem complexos nem hipocrisias. E se o lugar é útil para culto, testemunho, comunhão, serviço ao próximo, tudo bem. Embora devesse restaurar-se a prática das reuniões e celebrações em casas particulares. Seria salutar dessacralizar os locais e objetos de culto. Dar mais ênfase às comunidades menos formais e mais atuantes, à igreja aberta ao mundo e às suas necessidades integrais, todos os dias da semana e não somente uma ou duas horas aos domingos.
Afinal Deus não habita em templos feitos pelas mãos dos homens (Atos 7,48-50, l7,24). Jesus afirmou categoricamente que o local de adoração não é nem em Jerusalém (Templo judaico) nem em Samaria, nem num monte nem no outro, pois Deus é espírito e o importante é que o adoremos em espírito e em verdade, seja onde for (João 4, 20-24). Quando Jesus expirou na cruz, o véu do Templo rasgou-se de alto a baixo (Marcos 15,38) e, cerca de 40 anos depois, toda a cidade de Jerusalém foi destruída (Lucas 19,43-44), incluindo o próprio Templo, do qual resta apenas o muro das lamentações, como se sabe.
Templo de Deus é Jesus, disse-o Ele: “Destruam este templo e em três dias o reedificarei!” – referindo-se ao seu corpo. (João 2,19-21). Templos de Deus somos nós: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo que habita em vós…?” (I Coríntios 3,16-17; 6,19)
Templos vivos, casas de Deus vivas, glorificando ao Senhor por onde andarem. Isso sim. Esses são os maiores, os mais importantes de todos os templos, no Novo Testamento. Vidas dedicadas e santificadas ao Senhor, espelhando o amor do Cristo, manifestando a Sua Obra através de obras, ao serviço a Deus na pessoa do próximo.
Mas quando se vai à igreja, dominicalmente, cumprir apenas um dever religioso, descarregar a consciência, ouvir o sermão e dar o dízimo, que cristianismo é esse afinal? E os doentes, e os pobres, e os encarcerados, e os idosos, e as crianças? Pensa-se neles? Dá-se-lhes atenção, carinho, auxílio?
“E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.” (Apocalipse 5:10): Se somos sacerdotes, devemos pagar para outro fazer nosso trabalho?


Comentários

Postagens mais visitadas